Por nada e por ninguém

Por nada e por ninguém
(Jay Vaquer)

Á primeira vista
há de me deixar confuso
esse seu olhar difuso
de quem não presta atenção

Á primeira vista
todo risco é ameaça
e o medo que agente passa
cimenta os pés no chão

Á primeira vista
dois joelhos machucados
te redimem nos pecados
se usados pra rezar

Á primeira vista
tudo está no lugar certo
mas a praia é um deserto
cravado na beira-mar

Á primeira vista
eram só coincidências
uns amigos em comum
e uma vibração do bem

Se ontem não te dei valor nenhum
hoje eu não te troco por ninguem
Se ontem não te dei valor nenhum
hoje eu não te troco por ninguem

Á primeira vista
cada linha do poema
é a verdade suprema
só porque está no papel

Á primeira vista
deve haver uma saída
e que seja nessa vida
sei lá se há vida é no céu

Á primeira vista
ela é moça direita
nunca levantou suspeita
mas á mim não enganou

Á primeira vista
a noite é o fim do dia
eu acho que eu deveria
dormir mas eu nem vou

Á primeira vista
eram só coincidências
uns amigos em comum
e uma vibração do bem

Se ontem não te dei valor nenhum
Hoje eu não te troco por ninguem
Se ontem não te dei valor nenhum
Hoje eu não te troco por ninguem

Por nada e por ninguem…

Lágrimas

Por você, chorei uma vez
E aquela noite foi longa
No escuro do meu quarto
No vazio do meu coração
As lágrimas nutriram minha dor
Marcaram o meu rosto
Cicatrizaram as feridas
Desse corpo, arrebatado
Sofrido, de um sonhador

Meu olhar se perdeu
A sensação foi sufocante
A madrugada, um limbo
A falta insuportável
E as lembranças, intensas.

Por você, eu arrsiquei
Você foi aquela que escolhi
Mudou a minha vida
Me conquistou por completo
Você me renovou
Depois de tanto tempo
Trouxe de volta a esperança
Você foi tudo
Amiga, amante e confidente
E você foi também uma sombra
Minha maior decepção

E no entanto, me deu forças
Para continuar, tentar
Salvar um sonho perdido
Onde tudo estava fora do lugar
Você foi inspiração
Foi meu porto-seguro
E que sucumbiu em meio ao maremoto
Foi meu anjo iluminado
Que perdeu o brilho
E que foi levado pela ventania
Da confusão do dia-a-dia
Da destemperança
Do ódio sem razão
Da insensatez e insegurança

A chuva veio e levou
O resto que ainda valia
O tempo aumentou a distância
E silenciou o amor

O improvável aconteceu
Um cálice vazio
Derrubado por acaso
O sagrado perdeu o valor

E pela segunda vez
As lágrimas escorrem pelo meu rosto
E me encontro perdido em lembranças
A dor me entorpece
Os minutos parecem intermináveis
A música impregna a minha alma
E me carrega para longe
Suavemente… numa amarga melodia
A melancolia é quase viciante
Assim como você um dia foi
E seu corpo tão marcante
Seu cheiro…
Me deixa sem ar.

E pela última vez
Fico ofegante
Me deixo fragilizar por você
Que se perdeu
Em meio ao tormento
Que não enxergou o óbvio
E me perdeu
Junto com todo o sentimento
Se tudo acabou
Ainda não terminou.

E que você se lembre de mim, de nós
Dos sonhos, e das frustrações
Dos risos e das lágrimas
Da eternidade dos momentos
Que não passem de miragens
Da realidade que nos cerca

E pra você, deixo minhas últimas palavras
A sensação tão frágil do medo
O vazio do amanhã
A incerteza de uma paixão
A dualidade do amor
Os versos finais de um teorema.

Estive sempre aqui
E você esteve cega.

Adeus meu amor.

Sous le vent

Depois de muito tempo sem ouvir, pude apreciar novamente, essa música que considero uma das mais belas canções já escritas.

Et si tu crois que j`ai eu peur
C`est faux
Je donne des vacances à mon cœur
Un peu de repos

Et si tu crois que j`ai eu tort
Attends
Respire un peu le souffle d`or
Qui me pousse en avant
Et

Fais comme si j`avais pris la mer
J`ai sorti la grand`voile
Et j`ai glissé sous le vent
Fais comme si je quittais la terre
J`ai trouvé mon étoile
Je l`ai suivie un instant

Sous le vent

Et si tu crois que c`est fini
Jamais
C`est juste une pause, un répit
Après les dangers
Et si tu crois que je t`oublie
Écoute
Ouvre ton corps aux vents de la nuit
Ferme les yeux
Et

Fais comme si j`avais pris la mer
J`ai sorti la grand`voile
Et j`ai glissé sous le vent
Fais comme si je quittais la terre
J`ai trouvé mon étoile
Je l`ai suivie un instant
Sous le vent…

Et si tu crois que c`est fini
Jamais
C`est juste une pause, un répit
Après les dangers.

Fais comme si j`avais pris la mer
J`ai sorti la grand`voile
Et j`ai glissé sous le vent
Fais comme si je quittais la terre
J`ai trouvé mon étoile
Je l`ai suivie un instant
Sous le vent…”

Like a Ghost

You were just like a ghost
A strange silence involved you
Eyes that meant nothing but emptiness
A distant look to nowhere into infinite
Showing me sadness in your single smile
Revealing the chilly feelings into your heart.

You were nothing but a blur image
Roaming on this world of illusions
Neither real nor a picture that I touched
Just a lonely soul, lost in the mists of passion
Emotionless, waiting for the answers to your doubts
Waiting for dreams that might never come true
Watching as time passes by, slowly you closed your eyes.
Your life is running out, and you just don’t care anymore.

You became then a shady past
Disappearing in the deep of my memories
Leaving in my heart the painful marks of love
I was condemned to suffer alone in this fake reality
Listening to the endless and wiping melody of your voice
Wishing to change the direction of all my acts.

You once were my love
Everything I could dream, I had in you
The light you carried, I’d follow till my death
The love I had was more than you could ever had imagined
The life I lost was just one more to be doomed
I was just a sad wanderer in a world of lies
Lost in times of deception, afraid of loving again
I was just a dreamer searching along for a broken heart
Now I’m just myself. I’m just a shattered image in the mirror.

These words could be my future. Who knows?
These could happen and I’ll never know the truth
I know that life is still burning inside me
But this may never be true, as long as I’m with you.

A eternidade de um momento

Eu não gosto muito de falar sobre certos temas, do sensacionalismo que a mídia faz com tragédias e acontecimentos fatais. O acidente com o vôo da Air France foi mais um triste marco na história da aviação internacional. Fico tentando imaginar a dor de tantos familiares e amigos que perderam uma pessoa querida, depois de um silêncio que parecia interminável. A nossa breve existência nesse plano, às vezes, se acaba num piscar de olhos, e em outras pode demorar mais do que alguns segundos.

O que eu prezo são as reflexões, profundas e sensíveis, que surgem em momentos como esse.

Acabo de ler um artigo do Ruy Castro publicado no blog do Noblat, que me foi enviado por uma amiga, e que compartilho aqui:

Quatorze Minutos de Eternidade – Entre a hora presumida de entrada do Airbus A330 da Air France na zona de turbulência sobre o Atlântico e a última mensagem enviada pelo equipamento do avião, na noite de domingo, passaram-se 14 minutos. Se fosse só isso, já seria aterrorizante. Mas o tempo de apreensão, angústia e pavor a bordo pode ter sido ainda maior para os 228 passageiros e tripulantes.

É tempo de sobra para que, diante da iminência de morte, a vida -tudo que se fez e se disse, ou o que deixou de ser feito ou ser dito- passe várias vezes pela cabeça de uma pessoa, com uma definição de cinema. E com uma crueldade de Juízo Final, porque não há mais tempo para dizer ou fazer o que faltou.

Entre os que conseguem se manter íntegros em tal situação, há quem tente vencer o abismo rabiscando algo às pressas, descrevendo o avião em queda ou a aproximação das chamas, despedindo-se de parentes ou namorados, ou tentando deixar uma reflexão mais profunda. É uma tentativa desesperada de comunicar-se pela última vez, de fazer com que sua voz seja ouvida depois do nada.

Sabemos disso porque fragmentos dessas mensagens costumam ser encontradas em destroços de aviões caídos em terra. É por esses retalhos calcinados que nos damos conta de que o drama pessoal de cada vítima de um acidente aéreo é maior do que a fria estatística da soma dos mortos no mesmo acidente.

Na tragédia do voo AF 447, comovemo-nos com o casal rumo à lua-de-mel em Paris e com o alemão que iria tratar dos papéis para se casar com uma brasileira. Mas havia também empresários, professores e executivos, que viajavam a negócios, a estudos ou para receber prêmios -enfim, para um luminoso futuro próximo. E outros cujas histórias pessoais, talvez riquíssimas, nunca chegaremos a conhecer.”

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E o tempo segue enquanto enquanto construimos a nossa história.
A vida não é mais do que um instante, interrompido subtamente na linha temporal.

Máscaras da Dor

Através das máscaras, o ser humano tem o poder de personificar certos tipos e agir de acordo com os seus desejos. São utilizadas para intensificar alguns momentos, mostrando o quanto se é forte ou mesmo fingindo um sorriso enquanto mascara-se a dor.

As máscaras são fascinantes e intrigantes. As vezes, parecem assustadoras. Camuflam e maquiam, transformam a percepção dos outros. Protegem o verdadeiro “eu”.

As máscaras filtram a realidade. E apenas através do olhar é que se descobre a verdadeira essência de alguém. É a blindagem da alma. É o filtro de luz que materializa o brilho do amor. Entretanto meus olhos estão embaçados. E só você pode perceber.

A dor me consome.

E de tão profunda, parece entranhada em minha alma. Questionam de onde vem tanto sofrimento. Por que tamanha dor? A intensidade se faz no sentimento. É a música sublime extraída de um vazio ensurdecedor.

Os artistas são alquimistas da alma. Os poetas ilusionistas de versos. E por que não, malabares de palavras? Modificam sensações, degustando a tristeza e a dor, sempre tão intensas. Seguem destilando sensações, moldam de forma natural sentimentos em poesia. É a arte pura e imaculada que impulsiona a vida. É a essência fluida que vem diratemente da dor e da inquietação, da intensidade das lágrimas que escorrem… e marcam meu rosto. A falta é insuportável.

A dor me entorpece.

E me deixa confuso. É uma sensação indescritível, que me deixa sem ar. É de novo, o vazio intenso e desesperador, antagônico e opressor. Dessa alma errante, que se refugia no meu corpo ferido.

A dor me alimenta.

E de alguma forma me impele a escrever. É o sentimento angustiante que rasga o meu peito. É a dor pulsante que me toma por completo. É um rio que inunda o coração, e faz transbordar tudo o que era mais profundo. E me afoga em emoção.

Por isso o medo existe, e é real, pelo simples fato de não querer se machucar. A verdadeira essência nos assusta. Como é frágil assumir o que somos.

As máscaras nos protegem dos julgamento alheio. E o sonho segue intocado.

Tempo que passa

O tempo passa, e as pessoas passam
A vida nos tira, e nos presenteia
Pessoas vem, vão, e algumas ficam
E a vida continua a dar voltas

O tempo que não para, a vida que não cessa
E todo o sentimento que não se explica
A dor de perder, a alegria de ganhar
Tudo o que é mais precioso

O tempo transforma tudo
É implacável.

O tempo é irreversível.
O meu amor irremediável.

Se o sonho é possível, não quero acordar.

O tempo destrói tudo
É insuportável.

O derradeiro instante…
Distante de mim, e de você.
O tempo que se esvai
A loucura é iminente

Silenciosamente.
Assim como a morte.