(In)Justiça (com a “cara” do Brasil)

Esse texto pode estar um pouco fora de contexto e, talvez um pouco atrasado em relação aos últimos acontecimentos, até porque isso aconteceu há semanas atrás. Entretanto, resolvi publica-lo para expressar a minha opinião sobre o ocorrido e emitir as primeiras críticas desse ano. Afinal, eu não consigo poupar tantas palavras assim.

spraypainting

Estava lendo uma reportagem, que foi amplamente alardeada, sobre a prisão de uma estudante que ficou 53 dias em reclusão por ter pichado um andar vazio da 28ª Bienal de Artes de São Paulo. E ao terminar de ler, comecei a pensar a que ponto chegou a distorção de valores na justiça brasileira.

Tudo bem que pichadores, em geral, são seres desprezíveis por descaracterizar ou “destruir” patrimônio público. Esses são verdadeiros marginais. Mas o fato é que existem artistas que utilizam uma lata de spray, como poucos, para criar verdadeiras obras de arte. Afinal é inegável o valor do “spray painting” como forma de expressão artística. O que eu acho revoltante é ver uma pobre coitada presa em uma penitenciária, dividindo a cela com bandidos de toda sorte, enquanto uma corja incontável de políticos, ladrões, assassinos, entre outros vermes, contunuam soltos e impunes por seus crimes. Essa justiça é mesmo risível… pensando bem, na verdade é nojenta!

Pelo que foi noticiado, cerca de 40 pessoas participaram desse ato,  e apenas essa estudante foi presa, acusada de “formação de quadrilha e crime contra o meio ambiente” – nossa, ela realmente deve ser perigosa, ou talvez um “gênio do mal”, concordam? Mas que absurdo! Que insensatez! O que será que esses desembargadores estavam pensando na hora de negar o habeas corpus? Que considerem ela uma delinquente que transgrediu certas leis! Mas era necessário tanto rigor nesse caso? O que me espanta é que foram negados dois pedidos seguidos! Esses “senhores” deveriam se envergonhar de seus atos. Seria algo rotineiro o desvio de milhões de reais destinados a remédios da rede pública hospitalar ou para a compra de merenda escolar para crianças do ensino fundamental? Será que alguém acusado, ou mesmo condenado, por crimes semelhantes chegou a ficar preso tanto tempo? No primeiro pedido de habeas corpus já estão soltos.

O que é o Senado senão um antro de burocratas decadentes, políticos desqualificados e bandidos engomados focados apenas em seus interesses excusos, renegando os da nação brasileira. Me pergunto qual seria então a condenação para alguém que prejudica milhares de brasileiros através da corrupção, seja ela passiva ou ativa – é inadimissível que nada seja feito para mudar essa triste realidade.

Chega a ser cômico, pois ao abrir o jornal, constata-se quantas atrocidades são cometidas diariamente, e como absolutamente nada é feito para punir esses mal-feitores. Mas essa é a face do mundo capitalista. E mais uma vez esqueci que estamos falando do Brasil, o país do carnaval. O povo está sempre com um nariz de palhaço e um sorriso amarelo. E a vida segue o seu destino natural do “me engana que eu gosto”.

Nesse país não faltam máscaras: falta “vergonha na cara”.

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3 Comentários

  1. Muito legal o Blog. parabéns!

  2. É isso ai, Léo …

    Adorei!!

  3. O que eu acho sobre pichação/grafite eu disse aqui:
    http://pachaurbano.wordpress.com/2008/11/11/sobre-poluicao-visual/

    Agora, sobre impunidade… isso aqui no Brasil não tem jeito. E não estou dizendo isso como quem baixa as armas não, pelo contrário, digo isso consciente de que não podemos fazer nada MESMO! Não vai adiantar pintar a cara, gritar, mostrar a bunda. Somo um país formado por gente anestesiada mentalmente, pacífica e conivente. Igualmente corrupta e consensual. Temos mulata, carnaval e futebol, o que mais a gente precisa? Em se plantando tudo dá!

    Vamos dizer que nem 10% da população estaria preparada para viver sem a corrupção. Furamos fila, não respeitamos agenda, nem horário, nem valorizamos o patrimônio público. Conceitos que se tivemos nós não soubemos empregar, ou imprimir nas gerações que se sucederam.

    Esta mina que foi presa é só mais uma. Igual a ela tem uma caralhada. Gente que fez muito menos. Gente, que na verdade, está “guardando” a fila de outra pessoa, se é que me entende.

    Como disse o outro: A saída do Brasil é o Galeão.


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