Eu tenho andado inquieto
E não sei o que se passa comigo
Noites de sono agitadas
Sonhos inebriantes
Densos, conturbados
Um medo de não acordar
Medo de me perder
Num caminho sem volta
Medo de não viver
Sem a dor que me mantem
Medo de sofrer
Por você e mais ninguém.
Eu tenho andado sozinho
E não sei o que se passa contigo
Escondido nas sombras
Errante pela noite
Em silêncio diante do espelho
Esse reflexo de mim
Opaco, sem expressão
Que lentamente se apaga
Eu me vejo sem vida
Lacuna de sentimento
Imagem frágil, perdida
Repleta de sofrimento.
Eu tenho andado pensativo
E não sei se isso passa
É um vazio que me toma
Um estado sufocante
Sombrio, desesperador
Isolado de tudo
A espera do meu fim
Intenso, insuportável
É o tempo que resta pulsante
É o medo que me faz refém
Metáfora angustiante
De um futuro que não vem.
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